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Crias Pelo Clima abre chamada para circuito formativo e criativo em audiovisual e justiça climática

Crias Pelo Clima abre chamada para circuito formativo e criativo em audiovisual e justiça climática

O Instituto KondZilla e o Instituto Procomum, em parceria com o Instituto Querô, lançam o Crias Pelo Clima, uma chamada pública que irá selecionar 30 jovens realizadores e interessades em audiovisual que vivem e atuam em territórios atravessados pelos impactos da crise climática na Baixada Santista.

O percurso formativo propõe um espaço de encontro, troca e criação coletiva, onde participantes irão aprofundar reflexões sobre justiça climática enquanto experimentam, na prática, a produção audiovisual a partir de seus próprios territórios, vivências e urgências.O Crias Pelo Clima é um percurso formativo itinerante que se moverá pela Baixada Santista — atravessando Cubatão, Guarujá e Santos — ativando encontro, escuta e criações em rede.

A iniciativa combina sessões abertas de cinema, com exibição de curtas produzidos por jovens da Baixada, e um processo de aprendizado  aprofundado, onde participantes são convidades a criar, juntes, narrativas visuais sobre justiça climática, a partir de suas vivências, seus territórios e urgências. 

As pessoas selecionadas deverão se comprometer a participar de todo o percurso formativo, incluindo as atividades e as exibições de filmes do projeto, bem como a produzir o piloto de um projeto audiovisual realizado coletivamente entre os participantes, em consonância com as metodologias colaborativas das organizações.

Será oferecida uma bolsa individual de R$700,00 para as 30 pessoas contempladas. Além disso, os grupos que atingirem todos os objetivos do circuito formativo receberão uma bolsa-prêmio no valor de R$4.000,00 para a realização da obra.

Além disso, iremos garantir apoio logístico e/ou financeiro para viabilizar a participação dos selecionados nos territórios do circuito, seja por meio de repasse em dinheiro ou oferta de transporte (como vans).Durante o percurso formativo, serão realizadas exibições de filmes dos catálogos do Instituto Querô, Instituto Kondzilla e Olhar Marginal.

CRONOGRAMA DO PROJETO

As atividades acontecerão respeitando os seguintes horários:

Sextas – das 19 às 22h
Sábados – 09h às 18h

EtapasDatas
Inscrições10 a 30/04
Contato com os selecionadosAté 08/05
Imersão 1 (Cubatão)15 e 16/05
Imersão 2 (Guarujá)29 e 30/05
Imersão 3 (Santos)19 e 20/06
Evento de Encerramento e Apresentação dos Projetos17/07

POR QUE CRIAS PELO CLIMA?

A Baixada Santista configura-se como território estratégico e extremamente vulnerável às crises climáticas. Composta por nove municípios que abrigam o maior complexo portuário da América Latina, áreas de intensa industrialização, ecossistemas de Mata Atlântica, manguezais e zonas costeiras densamente ocupadas, a região concentra desigualdades socioambientais históricas e enfrenta de forma aguda os impactos das mudanças climáticas: elevação do nível do mar, eventos extremos de chuva, deslizamentos, enchentes, contaminação industrial e poluição do ar e das águas.

Paralelamente, a Baixada Santista possui um circuito criativo pulsante no campo do audiovisual. Coletivos culturais, pontos de memória, cineclubes periféricos, produtoras independentes e realizadores individuais vêm construindo narrativas potentes sobre seus territórios, mas frequentemente operam de forma fragmentada, com poucos recursos e canais limitados de circulação e visibilidade.

Nesse contexto, torna-se urgente e necessário fortalecer narrativas locais sobre justiça climática — histórias contadas por quem vive cotidianamente os impactos e as contradições do modelo de desenvolvimento instalado na região. Narrativas que partam do território, que expressam saberes populares, que denunciam injustiças e que apontem caminhos de resistência e adaptação construídos coletivamente.

É nessa encruzilhada entre emergência climática e potência criativa que nasce o Cria Pelos Clima, um percurso formativo que une cinema, comunicação e justiça ambiental para formar novas vozes e olhares sobre a crise climática na Baixada Santista.

OBJETIVO GERAL

Ampliar o debate público sobre justiça climática na Baixada Santista por meio da formação de jovens, comunicadores periféricos e agentes socioambientais para a produção de narrativas audiovisuais próprias, contribuindo para a circulação de filmes e a ocupação dos territórios com arte, reflexão e protagonismo comunitário.

Ações do projeto:

  • Capacitar 30 jovens e agentes locais em competências criativas e técnicas, abrangendo roteiro, direção criativa, produção executiva, poéticas visuais e finalização, com foco na produção audiovisual de baixo custo e em narrativas de impacto ambiental;
  • Promover um circuito audiovisual e formativo que amplie o repertório e o debate sobre justiça climática na Baixada Santista, estimulando a criação de projetos audiovisuais coletivos e culminando na produção de argumentos, roteiros ou curtas-metragens;
  • Fomentar a constituição de uma rede de colaboração e o intercâmbio entre organizações, comunicadores e agentes socioambientais atuantes no território;
  • Realizar três eventos abertos, com exibição de filmes e debates, visando ampliar o debate público;
  • Conceder apoio financeiro (bolsa/prêmio) para viabilizar a produção de até seis projetos audiovisuais desenvolvidos pelos grupos.

QUEM PODE PARTICIPAR?

Serão selecionadas 30 pessoas maiores de 18 anos, residentes na Baixada Santista, com os seguintes perfis:

  • Jovens de periferias interessades em audiovisual e comunicação;
  • Comunicadores populares, produtores culturais e agentes de coletivos periféricos;
  • Lideranças comunitárias, ativistas ambientais e agentes socioambientais com atuação nos territórios;
  • Pessoas diretamente afetadas pelos impactos das mudanças climáticas (moradores de áreas de risco, comunidades tradicionais, pescadores, entre outres);
  • Iniciantes ou pessoas com alguma experiência em produção audiovisual — não é necessário conhecimento prévio, apenas disposição para aprender e colaborar.

Incentivamos fortemente a inscrição de mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas LGBTQIAPN+, moradoras de periferias e integrantes de comunidades tradicionais.

PERCURSO FORMATIVO

Três imersões presenciais e mentoria contínua

Todes participantes deverão se comprometer a participar das seguintes atividades:

  • Imersão 1 – Cubatão (15/05 e 16/05): ambientação e integração das pessoas participantes, com introdução à linguagem audiovisual e ao debate sobre justiça climática na Baixada Santista. As pessoas participantes serão organizadas em grupos, de acordo com o alinhamento de temáticas, e iniciarão a construção coletiva das propostas audiovisuais;
  • Imersão 2 – Guarujá (29/05 e 30/05): aprofundamento em direção criativa dos projetos. Os grupos apresentarão o argumento ou a primeira versão do roteiro, desenvolvidos ao longo dos 15 dias com acompanhamento de mentoria, e trabalharão na proposta visual dos projetos;
  • Imersão 3 – Santos (19/06 e 20/06): foco em produção executiva e apoio logístico. Os grupos apresentarão o planejamento orçamentário, elaborado com apoio da mentoria ao longo dos 15 dias, e participarão de consultorias individuais para o refinamento dos projetos. Também serão compartilhadas orientações documentais, logísticas e legais para a realização das produções.

Os locais específicos de realização das atividades serão comunicados previamente às pessoas participantes.

Ao final do período de imersões, na etapa de pré-produção das obras, será concedida a bolsa para a realização dos projetos audiovisuais. Os grupos terão 27 dias para a fase de produção.

Entre as imersões: haverá períodos de mentoria contínua, com acompanhamento remoto e encontros pontuais para o desenvolvimento dos roteiros, organização das filmagens e processos de edição. Cada grupo contará com mentores dedicados das organizações parceiras.

No dia 17/07, será realizada a atividade de encerramento, com a exibição dos pilotos.

Metodologia

O percurso formativo fundamenta-se na pedagogia de projeto e na criação coletiva, partindo da premissa de que se aprende fazendo, em colaboração, com propósito e enraizamento no território. Todas as pessoas interessadas devem compreender que a metodologia prevê:

Aprendizagem baseada em projetos – todo o processo formativo está orientado para a produção concreta de projetos audiovisuais em diferentes linguagens. Cada etapa teórica é imediatamente aplicada na prática, garantindo que os conhecimentos sejam incorporados por meio da experimentação;

Criação coletiva em grupos – as 30 pessoas participantes serão organizadas em 6 grupos de 5 integrantes, que trabalharão juntes ao longo de todo o percurso, desenvolvendo um produto audiovisual por grupo. A formação dos grupos buscará equilibrar perfis, experiências e territórios de origem, estimulando a troca e a colaboração entre diferentes realidades;

Desenvolvimento progressivo e itinerante – o processo formativo acompanha o circuito nos três territórios, permitindo que as pessoas participantes vivenciem diferentes contextos da Baixada Santista e incorporem essas experiências em suas narrativas. A proposta é que os filmes reflitam sobre um ou mais territórios, estabelecendo conexões entre as problemáticas climáticas da região;

Uso de ferramentas acessíveis – a formação priorizará o uso de tecnologias acessíveis e de baixo custo, democratizando o acesso à produção audiovisual. Serão trabalhadas técnicas com celulares, equipamentos básicos de iluminação e captação de som, além de softwares livres de edição, garantindo que as pessoas participantes possam seguir produzindo após o término do projeto com os recursos disponíveis;

Escuta sensível e valorização dos saberes locais – a metodologia parte do reconhecimento de que as pessoas participantes são especialistas em suas próprias realidades. O papel da formação é oferecer ferramentas técnicas para que essas histórias ganhem forma audiovisual, sem impor narrativas ou estéticas. A escuta, o diálogo e a valorização dos saberes populares são pilares centrais do processo.

Apoio financeiro individual e prêmio coletivo

Cada participante selecionade receberá uma bolsa-auxílio individual de R$ 700,00 (setecentos reais), com o objetivo de garantir condições de participação ao longo do percurso.

Além disso, será garantida alimentação e apoio logístico de locomoção para as pessoas participantes em todos os dias de realização do circuito.

Ao final do percurso, cada um dos 6 grupos receberá um prêmio de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) para apoiar a execução e finalização de seus projetos audiovisuais após o circuito, possibilitando eventuais complementações de filmagem, etapas de finalização e ações de difusão dos curtas produzidos.

Realização e Parceria

O projeto é realizado por meio de uma aliança colaborativa entre três organizações com trajetórias e expertises complementares:

Instituto KondZilla – o Instituto KondZilla é uma organização social sem fins lucrativos que nasce do fenômeno cultural KondZilla — uma das maiores plataformas de música periférica do Brasil. Atua para transformar seu alcance cultural em impacto social, ampliando oportunidades de educação, trabalho e expressão para jovens de favelas e periferias em todo o país.

Instituto Procomum – O Instituto Procomum é uma organização sem fins lucrativos que atua para fortalecer a justiça climática, a democracia e o cuidado como base para a construção de um mundo comum, promovendo o protagonismo cidadão por meio de uma abordagem territorial e comunitária, sustentando espaços de experimentação e ação coletiva que fortalecem a autonomia das comunidades e impulsionam transformações rumo a sociedades mais justas, inclusivas e regenerativas. Também possui 2 laboratórios cidadãos dedicados à formação e articulação de redes em Santos (SP) e Brasília (DF).

Instituto Querô – o Instituto Querô é uma organização sem fins lucrativos que promove o acesso à arte e à cultura, impulsionando a transformação social de jovens em situação de vulnerabilidade por meio do audiovisual. Desenvolve projetos que fortalecem o protagonismo juvenil, ampliam o acesso ao trabalho e valorizam as culturas populares. Já produziu mais de 500 obras premiadas e é reconhecido por instituições como o UNICEF.

 

Essa aliança triangular, que articula inovação cidadã, formação popular e indústria criativa, garante ao Crias Pelos Clima uma abordagem multidisciplinar, com enraizamento territorial, capilaridade comunitária e potência de difusão. Dessa forma, cria as condições para que as narrativas produzidas não apenas existam, mas também circulem e provoquem debates.

SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS

Todas as pessoas selecionadas deverão se comprometer a licenciar suas soluções por meio de licenças Creative Commons (o tipo e as condições da licença poderão ser discutidos com a equipe do projeto).

As licenças Creative Commons permitem que autoras e autores concedam ao público o direito de compartilhar, utilizar e adaptar suas obras, especialmente para fins educacionais, culturais e não comerciais.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Somente pessoas residentes da Baixada podem participar?

Não. No entanto, será dada prioridade a pessoas moradoras da Baixada Santista. É imprescindível ter disponibilidade para participar dos encontros presenciais em Cubatão, Guarujá e Santos, e que os protótipos sejam realizados na região.

Não. As propostas serão desenvolvidas de forma colaborativa pelas pessoas selecionadas, que trabalharão em equipes. Ainda assim, boas ideias são bem-vindas desde o início. Quem já possui propostas pode participar, desde que esteja abertx à colaboração e à metodologia do projeto.

Não. Serão aceitas apenas inscrições de pessoas físicas.

Sim. Todas as pessoas selecionadas deverão participar de todos os encontros e atividades previstas no edital. Antes de se inscrever, verifique sua disponibilidade para acompanhar todo o percurso.

Sim. Nos encontros presenciais serão disponibilizados computadores, internet, materiais de papelaria e alimentação. Além disso, todas as pessoas selecionadas receberão um auxílio financeiro de R$ 700,00 para participação e desenvolvimento das propostas.

O auxílio será pago em duas parcelas de R$ 350,00. A primeira será depositada até 5 dias úteis após o primeiro encontro presencial, e a segunda até 5 dias úteis após o último encontro. O pagamento está condicionado à participação nas atividades.

Não. No entanto, as equipes deverão gerir os recursos de forma colaborativa, transparente e responsável, prezando pelo bom relacionamento e pela qualidade das entregas.

Não. A participação é totalmente gratuita.

Sim. A contrapartida consiste na participação em todos os encontros e atividades, além da apresentação do pré-projeto e do projeto final na atividade de encerramento.

Sim. Após o envio da inscrição, você receberá um e-mail automático de confirmação.

Recomendamos que as obras sejam licenciadas em Creative Commons – Não Comercial. Essa licença garante a autoria e permite o uso não comercial para fins educativos e culturais, como exibição e remix. Entendemos que esse modelo favorece a circulação das obras e a ampliação de seu impacto. Em caso de dúvidas, a equipe organizadora estará disponível para orientação.